Proposta de aumentar contribuição previdenciária atinge 70% dos servidores

22/08/2017

Categoria: Notícia

Foto Proposta de aumentar contribuição previdenciária atinge 70% dos servidores
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A proposta de elevar as alíquotas de contribuição

previdenciária do funcionalismo público federal, se aprovada pelo Congresso,

deverá atingir cerca de 460 mil servidores do Poder Executivo, mais de 70% do

quadro atual.

Pela medida apresentada nesta semana pelo governo do

presidente Michel Temer, a alíquota de contribuição irá subir de forma

progressiva, dos atuais 11% para 14%, e vai atingir a parcela do salário dos

servidores que ultrapassar o teto de R$ 5,3 mil. Quem ganha até esse valor não

será afetado.

A proposta precisa da aprovação do Congresso para entrar em

vigor. Se aprovada, a expectativa da Fazenda é que medida gere uma arrecadação

extra de R$ 1,9 bilhão em 2018.

Salários dos servidores

Segundo dados do Ministério do Planejamento, 69,9% dos

servidores ativos do Poder Executivo receberam em junho acima de R$ 5.500, e

9,2% ganha entre R$ 4.501 e R$ 5.500.

O Executivo federal reunia em junho 656 mil servidores

ativos e 409 mil aposentados. No final de 2016, o quantitativo era de 622 mil

na ativa e 388 mil aposentados. Do efetivo atual, cerca de 25% ganham abaixo de

R$ 5 mil – valor que o governo pretende estabelecer como salário máximo inicial

para as novas contratações.

Veja quadro abaixo

Distribuição dos servidores por faixa salarial

Faixa de remuneração (R$)

Ativos (%)

Aposentados (%)

Até 1.150

0,7

0,2

De 1.150 a 1.200

0,02

0,03

De 1.201 a 1.300

0,08

0,1

De 1301 a 1.400

1,1

0,1

De 1.401 a 1.500

0,1

0,1

De 1.501 a 2.000

0,4

1,1

De 2.001 a 2.500

1,7

1,5

De 2.501 a 3.000

2,5

2,9

De 3.001 a 3.500

4,5

5,4

De 3.501 a 4.500

9,8

21,1

De 4.501 a 5.500

9,2

10,4

De 5.501 a 6.500

9,1

12,3

De 6.501 a 7.500

8,3

8,4

De 7.501 a 8.500

5,4

5,7

De 8.501 a 9.500

4,8

5

De 9.501 a 10.500

7,1

2,8

De 10.501 a 11.500

5,6

2,5

De 11.501 a 12.500

5,4

2

De 12.501 a 13.000

1,2

0,8

Acima de 13.000

23

17,5

Fonte: Ministério do Planejamento

23% recebem acima de R$ 13 mil

Atualmente, 23% do total do funcionalismo da ativa (cerca de

150 mil servidores) recebem acima de R$ 13 mil. Entre as maiores remunerações,

estão médicos de alguns órgãos, técnicos em polícia criminal e delegado da

Polícia Federal, cujos salários no fim da carreira chegam a passar de R$ 28

mil.

Segundo o IBGE, o rendimento médio do brasileiro ficou

em R$ 2.104 em junho.

O conjunto de medidas anunciadas inclui ainda o adiamento,

por um ano, do reajuste acordado com algumas categorias de servidores e que

seria pago a partir de janeiro de 2018, a extinção de 60 mil cargos públicos,

que estão atualmente vagos, e a instituição de teto salarial no serviço

público, que não poderá ultrapassar os R$ 33,4 mil pagos a ministros do Supremo

Tribunal Federal (STF).

Entenda as medidas anunciadas

As medidas foram anunciadas na terça-feira (15) logo após os

ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira,

confirmarem a decisão de propor ao Congresso elevar o teto para o rombo das

contas públicas em 2017 e 2018, para R$ 159 bilhões.

Questionado pelo G1 sobre o alcance das mudanças propostas

no funcionalismo, o Ministério do Planejamento informou que "o

detalhamento dessas e de outras medidas anunciadas ainda está sendo trabalhado

dentro do governo e será divulgado oportunamente".

Em junho, as despesas do Executivo com pessoal somaram R$

29,54 bilhões ante R$ 27,3 bilhões em maio.

Como é hoje a contribuição de servidores

Pelas regras atuais do regime previdenciário dos servidores,

a alíquota de contribuição é de 11% para todos os servidores, independente de

faixa remuneratória. Segundo a Secretaria de Previdência, em alguns estados e

municípios já existem alíquotas superiores, normalmente entre 11% e 14%,

conforme previsto nas leis estaduais e municipais.

Já para os trabalhadores da iniciativa privada as regras são

diferentes. Para os contribuintes enquadrados no Regime Geral de Previdência

Social, as alíquotas variam entre 8% e 11% dependendo da faixa de rendimento, e

podem chegar a 20% para o contribuinte individual sem vínculo empregatício.

Revisão da meta fiscal

Para conseguir cumprir a nova meta fiscal proposta para

2018, o governo federal conta com R$ 38 bilhões entre receitas extras e cortes

de gastos considerados incertos porque dependem, por exemplo, de aprovação do

Congresso para se confirmar.

Na terça, o governo anunciou que vai propor ao Congresso

elevar o teto para o rombo das contas públicas, neste e no próximo ano, para déficit

de até R$ 159 bilhões. Hoje esse limite, chamado de meta fiscal, é de déficit

de até R$ 139 bilhões, para 2017, e de até R$ 129 bilhões, para 2018.

Isso significa que o governo quer autorização do Legislativo

para que o valor das despesas supere o da arrecadação com impostos e

contribuições em até R$ 159 bilhões, sem contar as despesas com juros. Ou seja,

quer aumentar o rombo das contas públicas em R$ 50 bilhões nos dois anos.

Com a revisão, o governo passou a prever déficit fiscal até

2020. O último ano com contas no azul foi 2013.

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